BASF - Linha direta com a comunidade |  
16.Abr.2010
Uma tendência que ganha força na era da sustentabilidade é a criação de espaços formais de consulta e diálogo entre uma empresa e SUS stakeholders – fornecedores, clientes, consumidores, associações de classe e organizações não-governamentais interessadas ou afetadas pelos negócios. A subsidiária brasileira da Basf, maior companhia química do mundo, iniciou neste ano um processo formal para permitir que públicos estratégicos se engajem em sua política de sustentabilidade. De agora em diante, cada uma das dez áreas de negócios da empresa deverá levar em conta em sue planejamento as opiniões desses grupos. As consultas começaram em Março, inicialmente com o objetivo de conhecer as expectativas sobre a atuação da empresa na área de inovação em produtos e tecnologias socioambientalmente responsáveis. A escolha desse tema não se deu por acaso. “O espírito inovador é o conceito-chave para implementar a política de sustentabilidade’, diz Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf para a América do Sul.

Na primeira etapa das consultas, encerrada em outubro, as preocupações mais citadas pelas 27 entidades ouvidas pela Basf foram a gestão de resíduos e a economia de energia. “Pudemos confirmar que as soluções que desenvolvemos estão em acordo com as necessidades e as expectativas da sociedade”, afirma Ana Lúcia Suzuki, gerente de responsabilidade social corporativa da Basf. Na área de gestão de resíduos, por exemplo, a empresa aproveita a resina das garrafas PET na produção de tintas, recolhe embalagens vazias de agrotóxicos e participa de estudos para a coleta e a reciclagem de latas de tinta usadas. Na de gestão de energia, também obteve resultados graças a investimentos de 9 milhões de reais em automação de caldeiras e melhorias de processos entre 2002 e 2007. No período, o consumo elétrico por tonelada produzida diminui em 25% e o de gás natural em 20%. A Basf também cortou um terço de seus gastos com eletricidade ao migrar para o mercado livre em 2005 e estuda gerar vapor e eletricidade a partir de 2010 com bagaço de cana e restos de madeira.

Um dos exemplos práticos do resultado desse diálogo com os stakeholders foram as mudanças na área de tintas decorativas. Uma das entidades ouvidas pela Basf foi a Sustentax, consultoria que trabalha com empreendimentos sustentáveis. A empresa recomendou à Basf que diminuísse a poluição causada por adesivos e impermeabilizantes e desenvolvesse tecnologias dentro dos padrões do selo Leed, criado nos Estados Unidos para a certificação de prédios verdes. Graças a essa orientação, em agosto, 14 tintas da marca Suvinil, da Basf, receberam o selo de qualidade da Sustentax (que incorpora normas do Leed). Para conquistar a certificação, a companhia teve de provar que as tintas possuem níveis reduzidos de compostos orgânicos voláteis – substanciam irritantes e perigosas para a saúde humana.

Apesar de bom desempenho ambiental e da tentativa de criar canais formais para se relacionar com a comunidade, uma fragilidade da companhia é a ausência de um relatório anual de sustentabilidade sobre a operação brasileira, com descrição de metas, evolução das ações e de indicadores e políticas especificas (a Basf dispõe apenas de um relatório mundial, publicado em alemão e em inglês). Segundo os especialistas, para uma empresa que pretende se aproximar das partes interessadas, esse é um ponto que deveria recebe mais atenção.

 

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